News · 26 de julho de 2026
Mineradoras batem recorde de produção e ainda falta prata
Produção recorde de trimestre, preço em queda, e o mercado continua faltando metal
A safra de balanços do segundo trimestre chegou e o retrato é curioso: as mineradoras cavaram mais prata do que nunca justamente no trimestre em que o preço mais caiu. A Americas Gold and Silver reportou em 23 de julho 665 mil onças de prata no trimestre, com guia anual de 3,2 a 3,6 milhões de onças (Newsfile). A Aya Gold & Silver produziu 1,68 milhão de onças equivalentes, alta de 61% contra o ano anterior, e a First Majestic entregou 3,8 milhões de onças, com o moinho de Zgounder batendo recorde de 3.889 toneladas por dia processadas (Investing News Network).
No mesmo período, o preço da prata caiu mais de 22%, negociando entre US$ 57 e US$ 89 depois da máxima histórica de US$ 121,62 em janeiro (Investing News Network).
Guarde essa combinação, porque ela é o coração da história da prata. Produção operacional em recorde de empresa não é o mesmo que abundância de metal no mercado. A mina inteira do planeta está prevista em 844,1 milhões de onças em 2026, uma queda de 0,3% sobre as 846,6 Moz de 2025 (The Silver Institute). Cada mineradora individual pode estar no seu melhor trimestre e o bolo total continuar do mesmo tamanho.
A reciclagem está no maior nível desde 2012 e não resolveu
O outro lado da oferta é a sucata, e ela respondeu ao preço alto exatamente como manda o manual: a reciclagem deve subir 7% em 2026, para 211,3 milhões de onças, o maior volume desde 2012, puxada por alta de 8% na sucata industrial (Mexico Business News).
Mesmo assim o mercado fecha o ano em falta. O déficit projetado para 2026 é de 46,3 milhões de onças, maior que as 40,3 Moz de 2025 (The Silver Institute). E existe um limite físico pouco comentado: refinaria tem gargalo. Não importa quanta sucata apareça, a velocidade de transformar aquilo em barra boa é limitada.
Isso é informação útil para quem acumula. O argumento clássico contra metal escasso é "o preço sobe e aparece oferta". Aqui a oferta apareceu, nas duas pontas, mina rodando forte e reciclagem em máxima de 13 anos, e ainda assim faltou.
Solar usando 19% menos prata, e o buraco aumentou
O dado mais desconfortável do ano para o metal era a indústria solar aprendendo a gastar menos prata por painel. Aconteceu, e em escala: o consumo solar caiu 19% em 2026, de 186,6 milhões de onças para cerca de 151 milhões, o maior corte anual já registrado (GoldSilver).
A fabricação industrial total recua para 639,6 milhões de onças, cerca de 3% menos que as 657,4 Moz de 2025 (The Silver Institute). Ou seja: a demanda industrial encolheu de verdade.
E o déficit cresceu de qualquer jeito. Porque o corte no painel solar é economia por unidade, não abandono do metal, e porque veículo elétrico, data center e rede elétrica foram ocupando o espaço deixado. Quando a maior fonte de demanda nova dos últimos anos faz o seu maior corte histórico e o mercado ainda fica no vermelho, o que se aprende é sobre a fragilidade do lado da oferta.
O curto prazo segue com o dólar no comando
Na sexta, 24 de julho, a prata spot negociava perto de US$ 58,16, alta de 0,87% na sessão, com giro entre US$ 56,98 e US$ 59,10, e o índice do dólar firme em 101,47 (Kitco News). Dólar forte e juro elevado seguem pesando, e há decisão do Fed em 29 de julho na agenda.
Não vamos fingir que isso é bom para a cotação de curto prazo. É o que é. A diferença é que dólar e juro mudam de humor a cada reunião, enquanto o estoque acima do solo, esse, não volta. Desde 2021 o mercado já consumiu 762,1 milhões de onças de estoque acumulado para cobrir os déficits (GoldSilver).
A leitura da casa
Trimestre bom de mineradora não é sinônimo de prata sobrando. Foi tudo junto neste ano: empresa com produção recorde, sucata em máxima de 13 anos, indústria consumindo menos, e o mercado ainda terminando em falta de 46,3 milhões de onças. Um mercado que precisa de tudo isso dando certo ao mesmo tempo para continuar deficitário é um mercado apertado por estrutura, não por notícia.
Para quem acumula prata física, a queda de preço no trimestre muda o quanto de metal cabe no mesmo dinheiro, não muda o metal. Barra guardada não sabe qual foi o fechamento de sexta. O grama continua sendo um grama, e ele veio de um sistema de oferta que, mesmo empurrado ao limite, não conseguiu dar conta.
Fontes consultadas: Investing News Network, Newsfile, The Silver Institute, Kitco News, GoldSilver, Mexico Business News. Os links levam ao material original de cada veículo. A leitura e os comentários são da Kislanski Metale.
Dinheiro perde valor. Prata sempre será prata.
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