PRATA .999 · PALÁDIO

O NOME VALE MAIS QUE O METAL.

KISIEL · KISLANSKI
KISLANSKIMETALE SZLACHETNEAtendimento da casa

News · 12 de agosto de 2026

Endeavour sobe 31% e o SLV trava 492 milhões de onças

A mid-tier tira 31% mais prata no segundo trimestre

No fim de julho, a Endeavour Silver divulgou o segundo trimestre de 2026. A produção consolidada de prata chegou a 1.943.955 onças, alta de 31% sobre o mesmo período de 2025. O ouro subiu 35%, para 10.474 onças. Em equivalente de prata, o trimestre fechou perto de 3,4 milhões de onças, com processamento de 509.576 toneladas, 68% acima do ano anterior.

O lado financeiro acompanha o volume físico. A receita operacional foi de US$ 212,1 milhões, 149% maior que no segundo trimestre de 2025. A companhia vendeu 2.054.108 onças de prata a preço realizado médio de US$ 70,16 a onça. O caixa no fim de junho ficou em US$ 236,6 milhões, com capital de giro de US$ 214,4 milhões. O motor do ganho de volume foi a combinação de Terronera em ramp-up, um trimestre inteiro de Kolpa no Peru e a expansão de throughput na planta peruana (alta de 36% no processamento em relação ao primeiro trimestre).

Para quem acumula prata física, o recado não é de ação listada. É de oferta real. Enquanto grandes nomes do setor passaram o semestre com prata de mina plana ou em queda de teor, uma mid-tier com minas no México e no Peru conseguiu colocar mais metal no mercado. Isso não fecha o buraco global sozinho: quase 2 milhões de onças num trimestre é gota em balde de bilhão de onças. Mas mostra onde a resposta de oferta ainda aparece, e em que escala.

O maior ETF de prata segura 492 milhões de onças

Do outro lado do balcão, o metal que some em cofre de produto negociado em bolsa continua a ocupar espaço de inventário. Em 11 de agosto de 2026, o iShares Silver Trust (SLV) reportava 492.341.723,50 onças de prata no trust, o equivalente a cerca de 15.313,54 toneladas. O patrimônio líquido do fundo estava na casa de US$ 32,1 bilhões.

Quase meio bilhão de onças em um único veículo não é metal à espera de moeda e granulado no varejo brasileiro. É barra custodiada, alocada a cotas, fora do circuito livre de entrega imediata para o comprador de barra e moeda. Quando o Survey do Silver Institute (pesquisa Metals Focus) projeta fluxo líquido em ETPs da ordem de 30 milhões de onças em 2026, e demanda de moeda e barra 18% maior no maior nível desde 2022, o mecanismo fica claro: investimento físico e produtos lastreados em metal tiram prata do mercado livre mesmo quando a indústria cede um pouco.

No COMEX, o retrato de cofre de futuros é outro pedaço da mesma história. Em 11 de agosto, a MetalCharts apontava 335,5 milhões de onças totais em depósitos aprovados: 99,7 milhões registradas (prontas para entrega contra contrato) e 235,8 milhões elegíveis. O total subiu cerca de 1,5 milhão de onças no dia, quase todo no estoque elegível. Registrado o fato: cofre de bolsa e cofre de ETF não são a mesma coisa, e nenhum dos dois é o grama na mão do acumulador.

A Pan American entrega o Q2 nesta quarta

Nesta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, a Pan American Silver publica o resultado não auditado do segundo trimestre, com teleconferência na manhã de 13 de agosto. A orientação anual da companhia, reafirmada no primeiro trimestre, aponta produção atribuível de prata entre 25 e 27 milhões de onças em 2026, cerca de 14% acima do ano anterior no ponto médio, segundo a própria Pan American.

No primeiro trimestre, a empresa já havia reportado 6,44 milhões de onças de prata atribuível e 169,2 mil onças de ouro, com produção no rumo da faixa anual. O mercado de ações olha receita, margem e custo. Quem guarda metal olha outra coluna: quantas onças saem de La Colorada, Huaron, San Vicente e do restante do portfólio americano, e se o teto de 25 a 27 milhões se confirma no meio do ano. Uma das maiores produtoras de prata listadas no continente reabre o livro de produção no mesmo dia em que o ETF maior do metal segue com quase 500 milhões de onças trancadas.

O pregão da semana e o déficit que não pede licença

Na segunda-feira, 10 de agosto, o futuro de prata de primeiro mês liquidou a US$ 65,106 a onça na Kitco, alta de 2,8% na sessão, com o mercado equilibrando folha de pagamento fraca nos EUA, petróleo e a reprecificação de juro do Fed. Na manhã de 12 de agosto, a cotação à vista na Kitco rodava na região de US$ 66 a onça. A semana ainda carrega CPI, PPI e vendas no varejo americano. Isso é barulho de fluxo e de expectativa monetária. Não é a estrutura de oferta e demanda.

A estrutura segue a mesma tabela do World Silver Survey 2026. O Silver Institute e a Metals Focus projetam o sexto déficit anual consecutivo, de 46,3 milhões de onças. A demanda industrial recua cerca de 3%, para 639,6 milhões de onças, com thrifting forte na fotovoltaica. Mesmo assim, o total de oferta não alcança o total de consumo. Cada ano de buraco come estoque acima do solo. Produção de mid-tier em alta e metal em ETF não se cancelam: um coloca onças no mercado, o outro as tira do circuito livre.

A leitura da casa

Na última rodada de números, a Endeavour mostrou que ainda existe resposta de produção em escala média: quase 2 milhões de onças no trimestre, 31% a mais que em 2025, com receita operacional de US$ 212,1 milhões. O SLV mostrou o outro lado da conta: 492 milhões de onças custodiadas em um único produto. A Pan American reabre o livro do segundo trimestre com orientação anual de 25 a 27 milhões de onças. O Survey mantém o sexto déficit, de 46,3 milhões de onças. O spot na Kitco roda perto de US$ 66. Quem acumula prata física separa as camadas: volume de mina, metal em ETF e cotação de sessão não são a mesma variável. O grama na mão continua sendo um grama, independentemente do humor da quarta-feira.

Fontes consultadas: Endeavour Silver, iShares/BlackRock, Pan American Silver, Kitco News, The Silver Institute, Metals Focus, MetalCharts. Os links levam ao material original de cada veículo. A leitura e os comentários são da Kislanski Metale.

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