News · 13 de agosto de 2026
Pan American sobe 27% e a Índia importa 92% menos
A Pan American tira 27% mais prata no trimestre
Na quarta-feira, 12 de agosto de 2026, a Pan American Silver publicou o segundo trimestre. A produção atribuível de prata chegou a 6,47 milhões de onças, no teto da faixa trimestral da própria empresa e 27% acima das 5,09 milhões do mesmo período de 2025. O motor, segundo a companhia, foi o desempenho de La Colorada e da fatia de 44% em Juanicipio. A receita consolidada foi de US$ 1,124 milhões, contra US$ 812 milhões um ano antes. O preço realizado médio da prata ficou em US$ 70,97 a onça. O custo all-in sustaining do segmento de prata caiu para US$ 17,80 a onça, de US$ 19,66.
O caixa e os investimentos de curto prazo encerraram junho em US$ 1,8 bilhão. O fluxo de caixa livre atribuível foi de US$ 344 milhões. A empresa devolveu recorde de US$ 300 milhões a acionistas no trimestre, entre dividendos e recompra. Isso é balanço de mineradora listada. Quem acumula metal olha outra coluna: quantas onças saíram do chão. 6,47 milhões num trimestre é volume relevante para uma produtora das Américas e, ainda assim, não fecha sozinho o buraco global.
A companhia reiterou a orientação anual de prata atribuível entre 25 e 27 milhões de onças. A teleconferência do resultado ocorre nesta quinta-feira, 13 de agosto. O recado para o acumulador não é de papel listado. É de oferta real: mais metal saiu da mina no segundo trimestre, em escala grande, sem alterar a estrutura do mercado.
O skarn avança e a Escobal continua parada
No mesmo relatório, a Pan American registrou o primeiro corte da rampa 588 Decline no projeto La Colorada Skarn, no México, no começo de agosto. No primeiro semestre a empresa investiu US$ 20 milhões no skarn, sobretudo em sondagem e engenharia preliminar. O sistema de manuseio e os poços de ventilação seguem para o conselho no segundo semestre. Isso é avanço de projeto, não onça extra no mercado de 2026.
Do outro lado do portfólio, a mina Escobal, na Guatemala, permanece parada. A consulta da Convenção 169 da OIT continua, houve reunião bilateral em 7 de julho, e a empresa afirma que não há prazo para o fim do processo nem data para retomar a operação. Uma mina grande de prata fora do circuito é metal que não entra na oferta deste ano.
A resposta de mina existe, mas chega devagar. Um corte de rampa e uma consulta sem calendário não fecham déficit. Quem guarda grama fino não depende do cronograma de capex de terceiro.
A Índia importa 92% menos prata em julho
Em 10 de agosto, a Kitco News trouxe o recorte da Heraeus sobre o maior mercado físico da Ásia. As importações indianas de prata em julho somaram 1,04 milhão de onças, queda de mais de 92% frente às 13,8 milhões de julho de 2025, e só 3% acima do 1,01 milhão de junho. O tombo veio depois das medidas de maio: alta da tarifa aduaneira e exigência de autorização prévia do governo para importar. O objetivo declarado foi conter importação de metal, poupar câmbio e aliviar a rúpia.
A conta local ficou invertida. A Heraeus registrou prêmio de até US$ 6,50 a onça sobre o preço doméstico oficial no começo de julho, mesmo com demanda sazonalmente fraca. A Índia cobre mais de 80% da sua necessidade de prata com importação. Os influxos de 2025 chegaram a 210 milhões de onças, cerca de 19% da demanda mundial. Quando esse cano fecha, some um comprador enorme do mercado internacional e aperta o metal que já está dentro do país.
Não é bom para o fluxo de barra que cruza fronteira. Também não inventa prata. Política comercial desloca o metal, não o produz. O prêmio de US$ 6,50 é o preço da escassez doméstica. O grama físico não pede guia de importação para continuar sendo um grama.
O CPI alivia o juro e o spot devolve parte do ganho
Na quarta, o Bureau of Labor Statistics divulgou o CPI de julho. O índice cheio subiu 0,1% no mês e 3,4% em 12 meses. O núcleo, sem alimentos e energia, subiu 0,2% no mês e 2,5% no ano. A energia ainda avança 14,7% em 12 meses. Inflação americana abaixo do susto, acima da meta. Dinheiro de papel continua a perder poder de compra, só que num ritmo que o mercado leu como alívio de juro.
O pregão reagiu e depois devolveu. Na manhã de 12 de agosto, a Kitco situava a prata à vista em US$ 66,20, alta de 2,51%. No fim da tarde, o relatório da mesma casa apontava US$ 65,14, ganho de 0,89%. Nesta quinta, 13 de agosto, às 7h21 de Nova York, o bid na Kitco estava em US$ 64,85, recuo de 0,55%. O metal saiu da casa dos US$ 66 e devolveu parte do movimento do CPI.
Nada disso mexe na tabela estrutural. O World Silver Survey 2026, coberto pela Kitco com Metals Focus e Silver Institute, mantém o sexto déficit anual, de 46,3 milhões de onças. A demanda industrial recua cerca de 3%, para 639,6 milhões de onças. A oferta de mina não cobre o consumo. Preço de sessão é ruído de fluxo, yield e petróleo. Gramatura é o que sobra quando o ruído passa.
A leitura da casa
Na última rodada de números, a Pan American mostrou resposta de produção em escala grande: 6,47 milhões de onças no trimestre, 27% a mais que em 2025, com preço realizado de US$ 70,97. O mesmo relatório mostrou o limite dessa resposta: o skarn deu o primeiro corte de rampa e a Escobal segue sem data de volta. A Heraeus mostrou a Índia importando 1,04 milhão de onças em julho, 92% abaixo do ano anterior, com prêmio interno de até US$ 6,50. O BLS mostrou inflação americana de 3,4% em 12 meses. O spot na Kitco recuou para US$ 64,85. Quem acumula prata física separa as camadas: volume de mina, cano indiano fechado e cotação de sessão não são a mesma variável. O grama na mão continua sendo um grama.
Fontes consultadas: Pan American Silver, Kitco News, Heraeus, BLS, The Silver Institute, Metals Focus. Os links levam ao material original de cada veículo. A leitura e os comentários são da Kislanski Metale.
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