News · 15 de agosto de 2026
Aya recorde no Marrocos e o varejo dos EUA recua 0,6%
Zgounder entrega recorde numa mina só de prata
Na quinta-feira, 13 de agosto de 2026, a Aya Gold & Silver publicou o segundo trimestre. A mina Zgounder, no Marrocos, produziu 1,49 milhão de onças de prata, 43% acima das 1,04 milhão de um ano antes e 18% acima do primeiro trimestre. A companhia descreve Zgounder como mina só de prata: o dore sai da usina sem depender de cobre, zinco ou ouro para justificar o plano de lavra.
No consolidado, a produção chegou a 1,68 milhão de onças equivalentes, 61% a mais, somando 187.784 onças equivalentes do retrabalho de pirita em Boumadine. A usina processou recorde de 3.889 toneladas por dia, com recuperação de 91,2%. O custo em caixa da prata vendida em Zgounder caiu para US$ 17,69 a onça, 17% abaixo do segundo trimestre de 2025. O preço realizado médio da prata na mina foi de US$ 68,29.
A receita consolidada foi de US$ 97 milhões, alta de 151%. O lucro líquido chegou a US$ 35 milhões, contra US$ 9 milhões um ano antes. O fluxo de caixa operacional foi de US$ 48 milhões. O caixa encerrou junho em US$ 183 milhões, além de US$ 16 milhões restritos.
Isso é resposta de mina primária. Não é subproduto de cobre que aparece quando o plano do metal-base permite. Ainda assim, 1,49 milhão de onças num trimestre fecha a conta da Aya, não o buraco do mercado.
Cosalá sobe 26% e Galena para o poço para crescer
Na sexta, 14 de agosto, a Americas Gold and Silver publicou o segundo trimestre. A operação Cosalá, no México, entregou 337 mil onças de prata, 26% acima das 269 mil do mesmo período de 2025. O motor, segundo a empresa, foi o corpo EC120, agora em produção comercial, com teor e recuperação mais altos sobre menos toneladas.
O consolidado foi outro recorte. A companhia produziu 665 mil onças de prata no trimestre. Galena, em Idaho, caiu para 328 mil onças, de 420 mil, por causa da parada do poço nº 3 e de um princípio de incêndio elétrico em junho. A receita consolidada subiu 71%, para US$ 46 milhões. O preço realizado médio da prata ficou em US$ 67,04 a onça, contra US$ 34,22 um ano antes. O custo em caixa consolidado foi de US$ 25,68. Em Cosalá, o caixa por onça caiu para US$ 16,91, de US$ 30,61.
A empresa concluiu a fase 2 da modernização do poço nº 3. A capacidade de içamento passou de cerca de 42 para 85 toneladas curtas por hora em ritmo sustentado, com pico de 105, alta de 150%. A carga do skip subiu 40%. O investimento da fase 2 foi de cerca de US$ 1,1 milhão. Isso é infraestrutura para o segundo semestre, não onça extra no trimestre que acabou.
A oferta norte-americana de prata não se move em linha reta. Cosalá entrega mais metal. Galena para o poço para içar mais depois. Quem acumula peça física não depende do cronograma de capex de terceiro. Depende do metal que já saiu do chão.
O varejo americano recua 0,6% e o ânimo cai a 51
Na sexta, 14 de agosto, o Census Bureau divulgou as vendas no varejo e serviços de alimentação de julho. A estimativa antecipada ficou em US$ 763,6 bilhões, queda de 0,6% (±0,4%) na comparação mensal, depois de alta de 0,2% em junho, sem revisão. Em 12 meses as vendas sobem 5,0%. A Kitco registrou o dado abaixo da expectativa de alta de 0,1%. O recorte sem veículos caiu 0,3%, contra consenso de alta de 0,2%.
No mesmo dia, a Universidade de Michigan publicou a leitura preliminar de agosto do índice de sentimento do consumidor: 51,0, de 55,2 em julho, recuo de 7,6% no mês e de 12,4% em 12 meses. As expectativas de inflação para os próximos 12 meses subiram de 4,2% para 4,3%. Só 8% dos entrevistados esperam que a renda cresça mais que a inflação no ano que vem.
A Kitco situou a prata à vista em US$ 64,530 no fim da tarde de sexta, alta de 0,32%. Neste sábado, 15 de agosto, às 7h20 de Nova York, o bid na Kitco estava em US$ 64,58, alta de 0,40%, com ask em US$ 64,83 e faixa de US$ 63,40 a US$ 65,82. Consumidor americano mais fraco é dado de fluxo de sessão. Expectativa de inflação em 4,3% é o dinheiro de papel perdendo poder de compra na cabeça de quem gasta. O grama fino não pede revisão sazonal.
O sexto déficit não se fecha com recorde isolado
O World Silver Survey 2026, coberto pela Kitco com Metals Focus e Silver Institute, mantém o sexto déficit anual, de 46,3 milhões de onças. A demanda industrial recua cerca de 3%, para 639,6 milhões de onças, e ainda assim fica acima da oferta.
Zgounder bateu recorde e Cosalá avançou 26%. Galena entregou menos. Somadas, as onças novas dessas duas casas no trimestre cabem com folga no buraco de um ano. Recorde de uma mina só de prata no Marrocos e avanço de teor no México não inventam refinaria nem reabrem poço parado. A estrutura continua a mesma: o metal se consome na indústria e a mina responde devagar.
A leitura da casa
A janela deixou três camadas. A Aya mostrou o que uma mina só de prata consegue quando teor e usina acompanham: 1,49 milhão de onças em Zgounder e receita de US$ 97 milhões. A Americas mostrou o outro lado da oferta: Cosalá 26% acima e Galena em obra de poço. O Census mostrou o varejo americano em −0,6%. A Michigan mostrou ânimo em 51,0 e inflação esperada em 4,3%. A Kitco abriu o sábado em US$ 64,58. Quem acumula prata física separa recorde de mina, parada de poço e cotação de sexta. O grama na mão continua sendo um grama.
Fontes consultadas: Aya Gold & Silver, Americas Gold and Silver, U.S. Census Bureau, University of Michigan, Kitco News, The Silver Institute, Metals Focus. Os links levam ao material original de cada veículo. A leitura e os comentários são da Kislanski Metale.
Dinheiro perde valor. Prata sempre será prata.
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