News · 17 de agosto de 2026
Terronera para por bloqueio e Lucky Friday bate recorde
Terronera para por bloqueio de ejido em Jalisco
No domingo, 16 de agosto, a Endeavour Silver informou que a mina Terronera, em Jalisco, está com a operação temporariamente suspensa desde 12 de agosto. O motivo é um bloqueio que a empresa chama de ilegal, feito por membros do ejido vizinho. As queixas listadas no comunicado são manutenção de estrada, ajuda com serviço médico e comunicação, controle e acesso à água, e mais assistência financeira. Até a data do aviso, o bloqueio seguia pacífico, ordenado e respeitoso.
O sítio ficou com equipe reduzida para segurança e manutenção. A companhia diz que segue em conversa com as lideranças do ejido e que pode recorrer à via legal se o impasse se prolongar. Não há prazo de retomada no texto.
Terronera não é um projeto no papel. É mina nova em ramp-up, a mais recente da companhia, com usina de GNL em operação desde junho. No segundo trimestre, segundo o próprio balanço, a mina processou 175.729 toneladas, entregou 582.043 onças pagáveis de prata e 1,30 milhão de onças equivalentes. O custo em caixa da prata em Terronera ficou em US$ 5,07 a onça. A orientação de 2026 aponta 2,4 a 2,6 milhões de onças de prata só nessa mina, de um consolidado de 8,3 a 8,9 milhões. Cada dia parado é onça que não sai do chão no México.
Oferta de prata não se liga e desliga no pregão. Depende de estrada, água e licença social. Quem acumula peça física lê o bloqueio como fato de oferta, não como rumor de cotação.
Lucky Friday entrega recorde e a Hecla tira 4,2 milhões
Do outro lado da fronteira, o livro do segundo trimestre de uma produtora primária de prata nos Estados Unidos já está publicado. Em 4 de agosto, a Hecla Mining reportou 4.208.827 onças de prata nas operações em continuidade, 8% acima do primeiro trimestre. Lucky Friday, em Idaho, bateu recorde trimestral de 1,53 milhão de onças. Greens Creek, no Alasca, tirou cerca de 2,05 milhões. Keno Hill, no Yukon, ainda sem produção comercial, ficou em 625 mil.
A receita do trimestre foi de US$ 334 milhões, abaixo do recorde do primeiro trimestre, com preço realizado e volume vendido menores. O lucro das operações em continuidade ficou em US$ 118 milhões. O fluxo de caixa operacional dessas operações chegou a US$ 175 milhões. O fluxo livre, a US$ 136 milhões. O caixa encerrou junho em US$ 483 milhões, depois de resgatar os US$ 263 milhões restantes das notas de 7,25%. Custo em caixa da prata, após créditos de subproduto e sem Keno Hill: negativo em US$ 8,10 a onça. O AISC ficou em US$ 6,07.
A orientação anual de prata foi apertada para 15,1 a 16,1 milhões de onças. O teto caiu. Keno Hill recuou para 2,2 a 2,6 milhões, de 2,9 a 3,2. Greens Creek e Lucky Friday subiram a faixa. A Hecla é mina primária de prata na América do Norte, não subproduto de cobre que aparece quando o plano do metal-base permite. Mesmo assim, recorde em Idaho e corte no Yukon no mesmo livro: a oferta responde devagar, e não em linha reta.
O spot abre a segunda em US$ 65,54 e a semana olha o Fed
Nesta segunda, 17 de agosto, às 7h22 de Nova York, o bid da Kitco estava em US$ 65,54 a onça, alta de 1,49%, com ask em US$ 65,79 e faixa de US$ 64,57 a US$ 66,35. O grama saía a US$ 2,11. Na sexta, o relatório da tarde da Kitco situou a prata à vista em US$ 64,530. O fim de semana repetiu a casa dos US$ 64,58. A segunda abriu acima disso. Isso é fotografia de sessão, não estrutura.
A semana traz o Império de Nova York nesta segunda, inícios e alvarás de moradia na terça, a ata do FOMC de 28 e 29 de julho na quarta, Philly Fed e novo seguro na quinta, e o PMI relâmpago da S&P Global na sexta. Dado de fábrica, moradia e ata de banco central movem o fluxo. Não movem o teor da peça nem o fato de que Terronera está parada.
O sexto déficit não espera o ejido liberar a estrada
O World Silver Survey 2026, coberto pela Kitco com Metals Focus e Silver Institute, mantém o sexto déficit anual, de 46,3 milhões de onças. A demanda industrial recua cerca de 3%, para 639,6 milhões de onças, e ainda assim fica acima da oferta. O recorte solar cai 19% por thrifting. Data center, eletrificação e veículo elétrico seguem na conta de consumo. Barra e moeda sobem 18%, no maior nível desde 2022.
A mina global permanece plana. Só 26% da prata do mundo sai de mina só de prata. O resto é subproduto. Terronera parada e Keno Hill com teto menor cabem nesse retrato: a resposta de oferta é rígida, local e lenta. O buraco de um ano continua maior do que o trimestre de uma mina média. Preço de segunda é barulho. O grama fino já saiu do chão, ou não saiu.
A leitura da casa
A Endeavour mostrou o que a oferta de prata nova enfrenta no México: Terronera, com orientação de 2,4 a 2,6 milhões de onças no ano, parada desde 12 de agosto por bloqueio de ejido. A Hecla mostrou o outro recorte da América do Norte: 4,21 milhões de onças no trimestre e recorde de 1,53 milhão em Lucky Friday, com o teto anual cortado em Keno Hill. A Kitco abriu a segunda em US$ 65,54. O Survey mantém 46,3 milhões de onças de déficit. Quem acumula prata física separa mina parada, recorde de poço antigo e cotação de manhã. O grama na mão continua sendo um grama.
Fontes consultadas: Endeavour Silver, Hecla Mining, Kitco News, The Silver Institute, Metals Focus. Os links levam ao material original de cada veículo. A leitura e os comentários são da Kislanski Metale.
Dinheiro perde valor. Prata sempre será prata.
Placas e granulado .999 com punção K ·999 e certificado.
