PRATA .999 · PALÁDIO

O NOME VALE MAIS QUE O METAL.

KISIEL · KISLANSKI
KISLANSKIMETALE SZLACHETNEAtendimento da casa

News · 18 de agosto de 2026

Santacruz empilha metal e a Perth Mint vende 65% mais

Na Bolívia a mina tira prata e a estrada segura o metal

Na segunda, 17 de agosto, a Santacruz Silver publicou o livro do segundo trimestre. Com minas na Bolívia e Zimapán no México, a companhia tirou 1.573.100 onças de prata, 11% acima do mesmo trimestre de 2025 e 17% acima do primeiro. Bolívar, ainda em recuperação da enchente de maio de 2025, avançou 32% na prata no trimestre. A usina processou 521.956 toneladas, 9% a mais que um ano antes.

O metal saiu do chão e não saiu do país. Bloqueios de estrada em partes da Bolívia duraram cerca de 53 dias. A produção não parou. A exportação de concentrado, principalmente o de chumbo, que carrega a maior parte da prata, ficou travada. Nas operações de mina, a Santacruz vendeu 894.167 onças de prata, 30% abaixo do segundo trimestre de 2025. Em San Lucas, as vendas de prata caíram 47% no trimestre, para 333.899 onças. O estoque consolidado subiu cerca de US$ 17 milhões. O caixa e os títulos líquidos encerraram junho em US$ 72,8 milhões.

A receita do trimestre foi de US$ 113,5 milhões, alta de 55%. O lucro bruto dobrou, para US$ 51,1 milhões. O EBITDA ajustado chegou a US$ 46,7 milhões, alta de 74%. O preço realizado da prata de mina foi de US$ 72,17 a onça, 118% acima dos US$ 33,13 de um ano antes. A companhia diz que os bloqueios cessaram no fim do trimestre e que as exportações se normalizaram no terceiro. Quem acumula peça física lê o recado sem maquiagem: tem prata no pátio que o mercado ainda não viu.

O boliviano perde 40% e a onça continua onça

O lucro líquido do trimestre foi de só US$ 2,0 milhões, 90% abaixo do ano anterior. Não foi a mina que sumiu. Foi o papel. A Santacruz registrou despesa de imposto de US$ 36,1 milhões. O maior peso veio da reavaliação do boliviano depois que a taxa oficial passou de 6,96 para 9,77 por dólar, uma desvalorização de 40%. No livro, isso gerou ganho cambial tributável. No caixa, não entrou dólar novo.

Houve ainda um ajuste de US$ 15,8 milhões, sem caixa, nos direitos contingentes devidos à Glencore. Sem esse ajuste, o lucro do trimestre teria sido de US$ 17,8 milhões. Um país que tira prata do chão reescreveu a taxa do próprio dinheiro em 40%. A onça no pátio não mudou de teor. O grama fino não pede licença ao banco central.

A Perth Mint vende 65% mais barra e moeda em julho

Do outro lado do mapa, o varejo físico voltou a aparecer. Na leitura de 17 de agosto da Heraeus, reproduzida pela Kitco, as vendas de produto cunhado de prata da Perth Mint chegaram a 486 mil onças em julho. É 65% acima das 294 mil de junho e 8% acima das 452 mil de julho de 2025.

A recuperação veio no mês em que a onça tocou a mínima de 2026 e fechou julho perto de US$ 57,5. A Heraeus lê isso como demanda de investimento sensível a preço que voltou a aparecer. O recorte honesto também está no texto: julho ainda ficou em cerca da metade das 976 mil onças de março e em cerca de um quarto das quase 2 milhões de fevereiro. Não é avalanche. É o varejo da casa da moeda australiana reaparecendo depois do fundo do mês.

O spot recua para US$ 64,88 e a fábrica de Nova York acelera

A cotação de curto prazo fez o caminho inverso da segunda. No relatório da tarde da Kitco, a prata à vista da segunda estava em US$ 65,650, alta de 1,66% no pregão. Nesta terça, 18 de agosto, às 7h21 de Nova York, o bid da Kitco estava em US$ 64,88, baixa de 1,19%, com ask em US$ 65,13 e faixa de US$ 64,64 a US$ 66,67. O grama saía a US$ 2,09. Queda de uma manhã é fotografia. Não é estrutura.

No mesmo dia 17, o Fed de Nova York publicou o Império de agosto: o índice de condições gerais da indústria do estado subiu cinco pontos, para 20,6, a leitura mais alta em mais de quatro anos. Pedidos novos ficaram em 17,3. Disponibilidade de insumos recuou para -13,4. A Heraeus anotou CPI de 3,4%, PPI de 4,7% e a probabilidade implícita de alta de juro em setembro caindo de cerca de 80% para cerca de 35% desde os picos de fim de julho. Dado de fábrica e juro implícito movem o fluxo. Não movem o teor da peça.

O sexto déficit não espera o caminhão boliviano

O World Silver Survey 2026, coberto pela Kitco com Metals Focus e Silver Institute, mantém o sexto déficit anual, de 46,3 milhões de onças. A demanda industrial recua cerca de 3%, para 639,6 milhões de onças, e ainda assim fica acima da oferta. A mina global permanece plana. Só 26% da prata do mundo sai de mina só de prata. O trimestre da Santacruz cabe nesse retrato: a oferta responde a estrada, licença e câmbio oficial, não ao tick da tela. Preço de terça é barulho. O grama fino já saiu do chão, ou ficou no pátio.

A leitura da casa

A Santacruz tirou 1,57 milhão de onças e vendeu menos, com US$ 17 milhões de metal empilhado atrás de bloqueio. O boliviano perdeu 40% na taxa oficial e a onça no pátio não perdeu um grama. A Perth Mint vendeu 486 mil onças em julho, 65% acima de junho. A Kitco abriu a terça em US$ 64,88. O Survey mantém 46,3 milhões de onças de déficit. Quem acumula prata física separa mina que produz, estrada que trava, casa da moeda que vende e cotação de manhã. O grama na mão continua sendo um grama.

Fontes consultadas: Santacruz Silver, Kitco News, Heraeus, Federal Reserve Bank of New York, The Silver Institute, Metals Focus. Os links levam ao material original de cada veículo. A leitura e os comentários são da Kislanski Metale.

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