News · 23 de agosto de 2026
Sprott banca C$ 7,5 mi e o dólar cede abaixo de 99
O Sprott cobre sozinho C$ 7,5 milhões para furar a La Parrilla
Na sexta, 21 de agosto, a Silver Storm Mining anunciou uma colocação privada de 15 milhões de unidades a C$ 0,50, no total de C$ 7,5 milhões. Eric Sprott, por meio da 2176423 Ontario Ltd., uma companhia que ele controla e que já é acionista relevante, subscreve a oferta inteira. Cada unidade traz uma ação ordinária e meia warrant. A warrant inteira compra mais uma ação a C$ 0,70 por 18 meses. Não há comissão nem taxa de intermediário. Fechamento previsto: 25 de agosto, sujeito à TSX Venture.
Sprott já detém 95.768.929 ações, cerca de 11,6% do capital. O dinheiro novo vai para sonda de superfície e subterrânea no complexo La Parrilla, 100% da companhia, no Estado de Durango, México, e para caixa. A La Parrilla tem moinho de 2.000 toneladas por dia e três minas subterrâneas. O presidente Greg McKenzie falou, no mesmo release, em progresso para trazer o complexo de volta à produção. O próprio aviso da companhia é claro: não há reserva mineral atual em NI 43-101 nem estudo econômico vigente. Produção anunciada sem reserva é plano, não onça no cofre.
A casa não lê ticker de júnior. Lê o endereço do capex. Capital que entra para furar mina antiga de prata no México é o lado lento da oferta. Sonda, rampa e moinho parado não viram grama no trimestre. Quem acumula físico não precisa do fechamento da colocação. Precisa do metal que ainda está no chão.
A San Cristóbal tira 17,6 milhões de onças e continua sendo mina de zinco
Na quinta, 20 de agosto, a Labrador Gold informou que concluiu a compra, no mercado secundário, de US$ 1,41 milhão em ações da San Cristobal Mining, dona da mina San Cristóbal no departamento de Potosí, Bolívia. A operação, quarta maior mina de prata do mundo em 2025 segundo o release, que cita o World Silver Survey 2026 da Silver Institute, tirou cerca de 17,6 milhões de onças de prata, 184 mil toneladas de zinco e 50 mil toneladas de chumbo. O moinho processa cerca de 52 mil toneladas por dia. A produção comercial começou em 2007. A SCM comprou o ativo da Sumitomo em 2023.
A casa não está olhando o ticket de US$ 1,41 milhão. Está olhando o tipo de mina. Essa onça sai de um complexo de zinco e chumbo, não de uma picareta que acorda pensando em prata. É o retrato da oferta global. O World Silver Survey 2026 da Silver Institute e da Metals Focus, lido pelo Investing News Network, mantém a mina mundial em 844,1 milhões de onças em 2026, recuo de 0,3%. Só 26% da prata do mundo sai de mina só de prata. O resto espera o capex de cobre, chumbo, zinco e outro metal.
Uma fatia minúscula numa mina privada boliviana não muda essa conta. Mostra o que o Survey já descreve: a onça nova continua presa a outro metal. Quem empilha placa não compra fluxo de zinco. Compra o grama fino.
O dólar cai abaixo de 99 e a sexta devolve a onça para US$ 68,97
Na manhã de sexta a Kitco registrou a prata à vista em US$ 69,470, alta de 2,23%, com o índice do dólar abaixo de 99. O juro de 10 anos do Tesouro americano rodava perto de 4,7%. O de 30 anos, perto de 5,25%. No fim da tarde o PM da mesma casa mostrou a onça em US$ 68,970, alta de 1,29%. A máxima da sessão foi US$ 70,14. Depois a tela afrouxou de volta para perto de US$ 69. O PMI composto relâmpago dos EUA subiu a 56,0 em agosto, a leitura mais forte em mais de quatro anos, com serviços em 56,8 e a indústria em 53,2, mínima de cinco meses. O de 30 anos fechava perto de 5,3%.
A prata segurou mesmo com o juro longo alto. A Kitco atribuiu o movimento ao dólar mais fraco, ao hedge fiscal e ao ruído no Estreito de Ormuz, não a uma queda da curva. Quem acumula lê os dois lados: atividade americana ainda firme no composto, fábrica mais frouxa, papel americano mais barato na tela. Nenhuma dessas linhas altera o peso de um grama.
Neste domingo, 23 de agosto, às 7h20 de Nova York, o bid da Kitco estava em US$ 68,86, com ask em US$ 69,11 e faixa de US$ 67,81 a US$ 70,14. O grama saía a US$ 2,21. A tela de fim de semana não é pregão. É o eco de sexta.
A semana traz o PCE e o Jackson Hole. O déficit não espera discurso
A Kitco registrou que a prata passou a semana acima de US$ 69 e tocou US$ 70. A agenda da semana que começa nesta segunda concentra o núcleo do PCE de julho na quarta e o discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole na sexta. Há ainda confiança do consumidor, vendas de casas novas, a segunda leitura do PIB do segundo trimestre, pedidos de bens duráveis, o pedido de seguro-desemprego e a revisão preliminar da folha. A casa não antecipa o tom de Warsh nem o decimal do PCE. Calendário de banco central mexe na cotação de 24 horas. Não mexe no estoque de metal.
O Survey segue no sexto déficit anual, de 46,3 milhões de onças. A mina global de 2026 está em 844,1 milhões, recuo de 0,3%. A demanda industrial, 639,6 milhões. Reciclagem sobe e ainda assim a conta não fecha. Discurso em Wyoming não abre mina em Potosí nem liga o moinho de Durango.
A leitura da casa
O Sprott pôs C$ 7,5 milhões sozinho para furar a La Parrilla, complexo com moinho de 2.000 toneladas por dia e sem reserva vigente. A San Cristóbal tirou 17,6 milhões de onças em 2025 como mina de zinco e chumbo em Potosí. A Kitco viu o dólar ceder abaixo de 99, a onça ir a US$ 70,14 e fechar a sexta em US$ 68,970. Neste domingo o bid abre em US$ 68,86.
Preço de fim de semana é barulho de dólar, de juro e de calendário do Fed. Colocação que manda sonda para mina antiga, onça que sai de complexo de zinco e déficit de 46,3 milhões de onças são estrutura. O grama fino na mão não pede o discurso de Jackson Hole. Continua sendo um grama.
Fontes consultadas: Silver Storm Mining, Labrador Gold, Kitco News, The Silver Institute, Metals Focus. Os links levam ao material original de cada veículo. A leitura e os comentários são da Kislanski Metale.
Dinheiro perde valor. Prata sempre será prata.
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