News · 29 de agosto de 2026
Warsh aperta o juro e o COMEX recua 3,51%
O COMEX recua 3,51% depois de Warsh em Jackson Hole
Na sexta, 28 de agosto, Kevin Warsh fez em Jackson Hole o primeiro discurso de peso como presidente do Federal Reserve. No texto oficial, a meta de 2% no índice de preços PCE é uma "meta firme e fixa". A leitura de doze meses está em 3,7%. A de seis meses, em 4,1%. O padrão que ele cravou: "precisamos estar confiantes de que a inflação subjacente está indo à nossa meta, com clareza e velocidade suficiente. Caso contrário, ainda temos trabalho a fazer." O discurso está no Federal Reserve.
O mercado leu o recado como aperto. O Wall Street Journal marcou o Treasury de dois anos em alta de 0,118 ponto percentual, a 4,348%, maior avanço diário desde março. A probabilidade implícita de alta de juro em setembro, no CME FedWatch, saiu de 35% na quinta para cerca de 58%. A Mining.com registrou o contrato mais ativo de prata, o de dezembro, em queda de 4,1%, a US$ 67,34.
O contrato de primeira posição no COMEX, agora o de setembro, fechou a US$ 66,995, segundo o Dow Jones. Recuo de US$ 2,436, ou 3,51%. Maior queda diária em dólar desde 8 de julho. Maior queda diária em porcentagem desde 23 de julho. Na semana, o mesmo contrato perdeu US$ 2,535, ou 3,65%, a maior retração semanal desde a semana encerrada em 17 de julho, e quebrou uma sequência de três semanas de alta. No mês, ainda sobe 16,33%. No ano, recua 4,48%. Em doze meses, avança 66,65% contra a mínima de US$ 40,20 em 29 de agosto de 2025.
A casa não esconde a sexta. Juro alto e dólar firme pesam no decimal de 24 horas. Não pesam no grama. A Kitco, neste sábado 29 de agosto às 7h20 de Nova York, marcou bid a US$ 66,25 e ask a US$ 66,50, recuo de US$ 2,88, ou 4,17%. Faixa: US$ 66,00 a US$ 71,23. O grama saía a US$ 2,13.
O SLV desconta 5,46% e ainda assim empilha onça
No mesmo 28 de agosto, o iShares Silver Trust declarou 493.832.733,20 onças em custódia, ou 15.359,92 toneladas. São cerca de 452 mil onças a mais do que as 493.380.951,20 da quinta. Patrimônio de US$ 34,68 bilhões. Cotas: 546,35 milhões. NAV de US$ 63,48. Fechamento de US$ 60,02. Desconto de 5,46%. Volume do dia: 36,2 milhões de cotas, mais que o dobro da média de 30 dias.
Na quinta o mesmo fundo negociava com prêmio de 1,44%. Na sexta o papel vendeu e o cofre engordou. O NAV, atrelado ao LBMA da manhã de Londres, ainda subiu US$ 1,62. O pregão de Nova York fechou abaixo. Quem opera cota vendeu exposição. Quem opera barra no cofre do trust viu metal entrar.
A casa não confunde os dois. A cota tem contraparte e horário de bolsa. A placa na gaveta não tem. O World Silver Survey 2026 da Silver Institute e da Metals Focus, lido pelo Investing News Network, mantém o déficit de 2026 em 46,3 milhões de onças, sexto ano seguido, com mina mundial em 844,1 milhões, recuo de 0,3%, e só 26% saindo de mina primária de prata. Quase 494 milhões de onças paradas num ETP não enchem esse buraco. Também não saem da indústria, da joia nem do painel.
A Silverco tira 73 mil onças em 43 dias
No fim de 26 de agosto, a Silverco Mining protocolou o segundo trimestre. A mina La Negra, em Querétaro, México, entrou nas contas em 19 de maio. Nos 43 dias seguintes produziu 73.264 onças de prata, mais cobre, zinco e chumbo, no total de 158.259 onças equivalentes. Receita de C$ 10,39 milhões. Lucro operacional de mina de C$ 374.984. Prejuízo líquido de C$ 6,10 milhões, com ajuste de preço provisório de C$ 2,37 milhões em concentrado vendido antes da compra. Caixa em 30 de junho: C$ 53,62 milhões.
La Negra segue em pré-comercial. A companhia mira 2.500 toneladas por dia no primeiro semestre de 2027. Cusi, em Chihuahua, tem primeiro concentrado previsto para o quarto trimestre de 2026. O PEA de abril descreve 8,3 anos de vida e capex inicial de US$ 19,2 milhões. Duas minas no México até o fim do ano, se o calendário firmar.
Setenta e três mil onças em um mês e meio são metal real. Não são o déficit. O Survey pede 46,3 milhões de onças a mais do que a oferta neste ano. A mina primária continua rígida. Reinício de engenho antigo entra no livro devagar. Quem acumula lê o boletim da Silverco como oferta que ainda não chegou, não como alívio.
A Prince passa de 10 mil metros em Nevada
Em 27 de agosto, a Prince Silver informou mais de 10.000 metros perfurados no projeto Prince, no distrito histórico de Pioche, Lincoln County, Nevada. O furo em curso é o PRC-63, o 38º da campanha moderna. O primeiro recurso NI 43-101 está marcado para o começo de 2027. O comunicado não traz ensaio novo.
O recorte que a empresa reapresenta ilustra largura, não entrega. O PRC-45 cortou 27,43 m a 93,67 g/t de prata e 11,98% de manganês. O PRC-44 cortou 15,24 m a 68,50 g/t de prata e 2,41 g/t de ouro. O histórico PRC-11 marcou 53,34 m a 97,82 g/t. Gêmeos dos furos antigos já foram feitos. Ensaio desses gêmeos ainda não saiu. Sem recurso no livro, sem mina, sem onça no mercado.
Nevada tem distrito, perfuratriz e prazo. O prazo é 2027. Até lá a onça continua na rocha. Furo não é oferta. Recurso estimado também não é. Oferta é metal refinado que alguém pode entregar.
A leitura da casa
Warsh falou, o juro implícito subiu e o COMEX recuou 3,51% no dia e 3,65% na semana. Fato. O SLV vendeu a cota com desconto de 5,46% e mesmo assim tomou mais de 450 mil onças no cofre. A Silverco tirou 73 mil onças em 43 dias. A Prince já passou de 10 mil metros e o recurso só entra no ano que vem. O Survey mantém o sexto déficit, 46,3 milhões de onças, com mina mundial em 844,1 milhões.
Decimal de sexta é juro. Estrutura é outra conta. A onça nova sai devagar. A onça velha já tem dono. O grama fino na mão não assina comunicado do Fed. Continua sendo um grama.
Fontes consultadas: Federal Reserve, Dow Jones, Kitco, Mining.com, Wall Street Journal, iShares, Silverco Mining, Prince Silver, The Silver Institute, Metals Focus, Investing News Network. Os links levam ao material original de cada veículo. A leitura e os comentários são da Kislanski Metale.
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